Fichamento do texto Design: Obstáculo para Remoção de Obstáculos
O texto apresenta uma reflexão sobre os objetos e sua relação com a cultura. A palavra "objeto" tem origem em termos que significam algo lançado no meio do caminho, ou seja, aquilo que surge como obstáculo. Nesse sentido, o mundo é formado por objetos que dificultam o progresso, mas que podem ser transformados em ferramentas para superá-lo. Quando isso acontece, esses elementos deixam de ser apenas obstáculos e se tornam objetos de uso. No entanto, mesmo os objetos criados para facilitar a vida acabam por se tornar novos obstáculos. Isso dá a idéia de Dialética interna da cultura, mostrando que, quanto mais objetos de uso são criados, mais eles interferem no caminho, tanto ajudando quanto atrapalhando. A cultura, então, é composta por objetos projetados por pessoas que vieram antes, e esses objetos definem o que se chama de estado das coisas. Eles são ao mesmo tempo necessários e limitadores. Diante disso, surge a necessidade de pensar na responsabilidade de quem projeta. Com a criação de um objeto é preciso saber que ele será lançado no caminho de outros e influenciará seus percursos, por isso, é importante projetar com atenção não apenas à utilidade.
O autor faz uma crítica comparando a valorização excessiva dos objetos ao culto aos ídolos. Assim como os profetas chamavam de “pagãos” aqueles que se deixavam seduzir por imagens e ídolos, hoje a sociedade é vista como presa aos objetos materiais, que fascinam e ao mesmo tempo ocultam as relações humanas por trás deles. Nessa lógica, os objetos de uso viram ídolos, ou seja, objetos adorados e consumidos, que dominam a atenção das pessoas. Com o avanço da tecnologia, surgem os objetos imateriais, eles também podem se tornar obstáculos, mas têm a característica de poder incentivar uma atitude mais responsável no design, voltada à comunicação e à convivência.
O texto conclui destacando a efemeridade de todos os objetos, inclusive os imateriais, essa consciência transforma o modo de criar, que, em vez de projetar pensando apenas na eficiência e utilidade, seria possível criar de maneira mais sensível, promovendo uma cultura com mais liberdade, menos obstruções e mais espaço para o encontro entre as pessoas. Essa reflexão se conecta ao conceito de Não-Objeto, proposto por Ferreira Gullar, que trata de criações que rompem com a ideia tradicional de função e contemplação, buscando uma forma de cultura que não bloqueia, mas revela as relações humanas.
Perguntas:
Qual a diferença entre objetos de uso e outros objetos?
Qual a diferença entre pagão e profeta?
O que seria intersubjetivo no contexto do texto?
%2014.32.24_0b3d82fe.jpg)
Comentários
Postar um comentário